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 Informações  sobre  DHEA
 
    As supra-renais são um par de estruturas triangulares localizadas sobre os rins e pesando cerca de 5 gramas no adulto.  Dividem-se em uma área externa, o córtex (quatro quintos da glândula), e outra central, a medula.  O córtex é originado do mesoderma e a medula do ectoderma.  

    O córtex supra-renal mostra tres zonas distintas, de dentro para fora, reticularis, fasciculata e glomerulosa.  A cada zona corresponde a síntese de um hormônio, nesta ordem, a dehidroepiandrosterona, o cortisol e a aldosterona, com destinações fisiológicas bem distintas, respectivamente, o anabolismo proteico, o metabolismo dos glicídios, e o equilíbrio sódio/potássio (metabolismo hídrico).  

    A medula supra-renal secreta catecolaminas, em particular epinefrina (adrenalina) e norepinefrina, relacionadas estreitamente ao sistema nervoso autônomo, e participando do sistema de controle da pressão arterial.  

    Os tres hormônios do córtex supra-renal distinguem-se quimicamente pelo número de seus átomos de carbono.  Em oposição aos corticóides que possuem 21 átomos de carbono, encontramos a DHEA possuindo apenas 19, traindo sua condição de androgênio 

 Aldosterona – 21  
 Cortisol – 21  
 DHEA – 19  

    A presença de 19 átomos de carbono traduz então uma identificação aos androgênios (esteróides sexuais masculinizantes).  Entretanto, a DHEA é um androgênio fraco, possuindo menos de 10% da potência do principal deles, a Testosterona.  Todavia, em determinadas condições patológicas sua produção aumentada pode levar a quadros de hirsutismo e virilização.  

    A DHEA circula soba a forma de sulfato (S-DHEA), sendo este o mais abundante esteróide no sangue: 35 a 430 microgramas/100ml nas mulheres e 80 a 560 microgramas/100ml nos homens.  

    A secreção de S-DHEA é controlada pelo ACTH hipofisário, porém não é sujeita a oscilações nas 24 horas do dia.  Igualmente não se modifica no decorrer do ciclo menstrual.  Seus níveis são elevados ao nascimento, diminuindo na infância, e voltando a crescer na puberdade para atingir os números mencionados, no adulto.  Depois dos quarenta anos há uma queda gradual desses valores.  

    A DHEA é sobretudo um anabolisante proteico, e traduzindo sua marca androgênica, participa do desenvolvimento da massa muscular e do aparecimento de pelos pubianos e axilares nos dois sexos.  Outras funções são pouco conhecidas, porém atribue-se-lhe um papel na energia física, razão pela qual tem sido utilizada para atenuar o processo de envelhecimento.  Seria uma verdadeira terapia de reposição hormonal, posto que sabemos da queda de seus níveis nos idosos.  

    A denominada “disfunção androgênica” é uma síndrome identificada pelo surgimento na mulher de caracteres sexuais secundários do tipo masculino, desde o mais leve hirsutismo até a virilização franca.  O problema diagnóstico básico é localizar a fonte dos androgênios elevados: o aumento significativo do S-DHEA aponta a origem no córtex supra-renal.  A outra possibilidade é a origem ovariana, porém aqui o androgênio envolvido é a própria Testosterona.  Para o esclarecimento definitivo são necessárias provas funcionais envolvendo estes dois hormônios e ainda o cortisol.  
  

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Leituras Sugeridas:
 

1) Nelson, D. – Adrenal androgens.  The Adrenal Cortex: Physiological Function and Disease, Vol. XVIII, Smith Jr., L. (Ed.)  W. B. Saunders Co., Philadelphia – 102, 1980  

2) Lobo, R., Wellington, P., and Goebelsmann, U. – Dehydroepiandrosterone Sulfate as an indicator of Adrenal Androgen Function.  Obstet.Gynecol. 57:69,1981

 
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On the Regulation of the Menstrual Cycle
 
 
 
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