Ericsson Linhares
 
 Informações sobre o ciclo menstrual e a gravidez inicial
 
 
    O ciclo menstrual tem a duração de 28 a 32 dias, terminando com a menstruação (as “regras”).  O primeiro dia da menstruação é o primeiro dia do ciclo seguinte.  Durante o ciclo ocorrem dois fatos importantes.  

    Primeiro: o ovário emite um óvulo, que é  a contribuição da mulher para a fecundação.  O óvulo é uma célula (na maioria das vezes única) lançada na trompa, um canal que liga o ovário ao útero.  Este lançamento é feito no meio do ciclo, isto é, entre 14 e 16 dias a contar do primeiro dia da menstruação.  Se a mulher tiver uma relação nesses dias, com um homem que não use preservativo (camisinha), pode ocorrer que na ejaculação, quando se eliminam milhares de espermatozóides no líquido ejaculado (o esperma), um deles suba na cavidade uterina (pois o útero é um órgão muscular ôco) e atinja o óvulo.  O espermatozóide é o contribuinte masculino para a fecundação.  Quando o espermatozóide se funde com o óvulo, este passa a chamar-se ovo, cujo desenvolvimento resulta no embrião, mais adiante então denominado feto, que vai crescer no interior do útero por nove meses, até o parto.  

    A duração da vida útil do óvulo e espermatozóide é de cerca de 48 horas (cada um).  Assim, contando-se estas 96 horas (4 dias) e somando-se outros tantos dias como margem de segurança, temos que o chamado “período fértil” (quando pode ocorrer a fecundação) dura 8 dias no meio do ciclo, isto é entre o 11º e o 18º  dias.  Qualquer relação sexual nestes dias, sem proteção de camisinha, leva grande chance de resultar em gravidez.  

    O segundo fato importante é que o óvulo é produzido em um componente do ovário de forma vesicular, o folículo.  Depois de lançar o óvulo, o folículo transforma-se em uma estrutura denominada corpo amarelo, assim chamada devido à grande impregnação de gordura.  O corpo amarelo produz um hormônio (a progesterona) que promove modificação especial da camada de revestimento da cavidade uterina, preparando esta mucosa para o recebimento e sustento do ovo, caso tenha havido a fecundação.  Assim, a cada mês, após a ovulação (portanto na segunda metade do ciclo), o útero prepara-se para receber um ovo.  Quando isto não ocorre, o tecido preparado elimina-se com o sangue na menstruação.  Se houve fecundação o corpo amarelo continua em atividade, para ser mais tarde (acima de 60 dias) substituído pela placenta, então já formada e que vai administrar a nutrição do feto em crescimento.  

    O ovo tem igualmente a capacidade de produzir um hormônio, denominado gonadotrofina coriônica, com uma missão fundamental.  Quando o ovo recém-formado se abriga no interior do útero, lança na circulação materna este hormônio destinado a agir sobre o corpo amarelo no ovário e rigorosamente “avisá-lo” que há um ovo precisando de sua ajuda e que ele deve continuar a produção de progesterona além daqueles poucos dias de um ciclo comum.  Porque quando não há gravidez é a cessação da atividade do corpo amarelo que resulta em menstruação.  

    Desta forma, não existe nenhum teste de gravidez que possa ser mais precoce que o achado de gonadotrofina coriônica no sangue da mulher.  Este hormônio é eliminado na urina e todos os antigos testes baseavam-se na sua presença.  Hoje preferimos detectá-lo diretamente no sangue, onde podemos medi-lo em sua forma mais significativa, denominada “beta-gonadotrofina coriônica” (beta-HCG).  

    Considerando que a fecundação tem lugar na fase fértil, se ocorreu nos primeiros dias, é possível encontrar beta-HCG no sangue antes mesmo da regra faltar.  Por outras palavras, mesmo sem “atraso” é possível diagnosticar gravidez com esse exame.  

    Entretanto, é claro que isto não é a norma, sendo necessário um prazo de no mínimo cinco dias de atraso para resultado positivo.  Mesmo asssim, eventualmente podem ocorrer falsos negativos depois deste prazo.  É exame que exige execução adequada em laboratório responsável, e que deve ser repetido sempre que existirem dúvidas, ou em possíveis gestações problemáticas (*).  Umas das ocorrências a exigir muito cuidade é o da localização da gravidez fora do útero, a prenhez ectópica (geralmente na trompa, ou prenhez tubária).  

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(*)  Gravidez não desejada; gravidez em mulher com doença grave como diabete, problemas cardíacos, hipertensão; gravidez impedindo uso de raios-X ou cirurgia, capaz de prejudicá-la.  
  

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