| Os seres
vivos unicelulares, existindo em meio aquoso, retiram diretamente da água
as substâncias nutritivas que lhes são necessárias
(e que podemos reunir sob a denominação latina de increta),
ao mesmo tempo em que aí lançam os produtos indesejáveis
resultantes de sua atividade vital (os excreta). Ao conjunto
destas operações, verdadeira contra- corrente de entrada
e saída de material responsável pela vida da célula,
denomina-se metabolismo.
Nos seres vivos dotados de maior organização e constituídos por mais de uma célula, como é o nosso caso, que possuímos milhares delas, criou-se o problema de como fazer chegar a todas o material nutritivo indispensável. A solução encontrada pela natureza foi a de permitir que carreguemos conosco a água onde nossas células efetuam seu metabolismo, posto que somos constituídos pela elevada percentagem de 73% de água. Coube a Claude Bernard a criação do conceito de meio interno. Este meio interno é realmente como se tivéssemos aprisionado um pequeno mar interior para uso próprio. O elemento cuja movimentação mais claramente se percebe no organismo humano é sem dúvida o sangue. Todavia, além dele, fora dos canais competentes em que circula, todo o resto do corpo está embebido em líquido. Para disciplinar a contínua atividade de entrada e saída de materiais nas células espalhadas pelo corpo humano, há logicamente necessidade de um sistema de controle, com o emprego de meios de comunicação capazes de avisar aos diversos territórios celulares que substâncias deverão ter prioridade em determinado momento, o que queimar ou depositar, quando parar de receber, quando aumentar a eliminação de detritos, em suma, a manutenção em níveis normais desse equilíbrio. Tais avisos fazem-se através da circulação sanguínea por intermédio de substâncias especiais, verdadeiros mensageiros químicos, denominados hormônios. Esta denominação é originária da palavra grega Hormao, que quer dizer “eu estimulo”. Os hormônios constituem um grupo heterogêneo de substâncias apresentando em comum duas propriedades igualmente importantes. Em primeiro lugar o seu elevado poder de difusão e, paralelamente, a capacidade de atuar em quantidades mínimas. Os hormônios naturais produzidos no organismo humano são compostos químicos derivados quer de proteínas, quer de lipídios, dois dos principais grupos de alimentos (o terceiro é o dos glicídios). Tal origem os diferencia das vitaminas, igualmente relacionadas ao metabolismo e capazes de atuar em mínimas quantidades, mas que tem de ser recebidas de fora, já prontas, na alimentação. Intervindo
no metabolismo pela aceleração ou pela frenação
de atividades químicas,
Existe, entretanto, um setor no qual a atuação dos hormônios é realizada de maneira mais espetacular, uma vez que implica em modificações importantes e definitivas na estrutura e no funcionamento de diversos órgãos, repercutindo mesmo na conduta das pessoas e, além, disso, na atividade dos hormônios relacionados ao sexo. Os denominados
“esteróides sexuais” são simplificadamente a testosterona
produzida no testículo (principal representante dos hormônios
“androgênicos”) e o estradiol produzido no ovário (principal
representante dos hormônios “estrogênicos”). Em etapa
precoce da vida embrionária aparece a atuação da testosterona
do testículo fetal, promovendo a diferenciação do
aparelho genital masculino e repercutindo mesmo no sistema hipotálamo-hipófise
que vai ser responsável pelo feitio próprio na secreção
dos hormônios estimulantes das gônadas, as “gonadotrofinas”.
Produzidas na hipófise estas estimulinas atuam de maneira peculiar
em testículos e ovários. Não é necessário
avançar pormenores destas ações para compreendermos
que os hormônios sexuais desempenham papéis significativos
na fisiologia da vida diária, desde a promoção dos
caracteres sexuais secundários (forma do corpo, distribuição
de pelos, tom de voz, etc.) até as características de temperamento
e sensibilidade.
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