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VIII – HORMÔNIO
TIREOTRÓFICO (TSH), TRI-IODOTIRONINA (T3)
E TIROXINA (T4)
É
de conhecimento antigo uma correlação entre tireóide
e função sexual, e ainda, que seus distúrbios são
significativamente mais frequentes no sexo feminino. Daí a
importância prática de estar o clínico atento a esta
área pois, tanto o hipo quanto o hipertireoidismo são suscetíveis
de causar distúrbios menstruais e esterilidade, além da galactorréia
típica do hipotireoidismo. Ignora-se se a influência
manifesta-se por efeitos centrais ou periféricos das taxas de tiroxina.
A síntese
do hormônio tireoidiano depende basicamente de um suprimento adequado
de iodo na dieta e do estímulo do TSH hipofisário.
Na tireóide o iodo liga-se ao ácido aminado tirosina.
Monoiodotirosina e diiodotirosina combinam-se para formar tiroxina (T4)
e triiodotironina (T3). Estes compostos iodados são parte
da molécula de tireoglobulina, o colóide que serve como depósito
do hormônio tireoidiano. O TSH promove um processo proteolítico
que resulta no lançamento de iodotironinas na corrente sanguínea.
No sangue o hormônio tireoidiano circula ligado a uma proteína
transportadora (TBG). Os estrogênios produzem uma elevação
da TBG e, portanto, a função tireoidiana é afetada
pela gravidez ou medicação estrogênica continuada.
Com o aumento da capacidade TBG, a manutenção de um estado
eutireoidiano depende do conceito de que a tiroxina livre é mantida
em limites normais.
Embora
T4 seja secretado 20 vezes mais que T3, é T3 o responsável
pela maioria, senão todas, as funções tireoidianas
no organismo. T3 é 3 a 4 vezes mais potente que T4.
Cerca de um terço do T4 secretado diariamente é convertido
nos tecidos periféricos, particularmente fígado e rins, em
T3, e cerca de 40% é convertido na forma inativa, T3 reverso.
São duas as razões para que T3 seja mais ativo que T4: os
receptores celulares para hormônio tireoidiano tem cerca de 10 vezes
mais afinidade por T3, e as proteínas sanguíneas ligam T4
mais fixamente que T3.
Valores Normais
A atual
avaliação da função tireoidiana dispensa antigas
medidas (PBI, captação de T3, índice de T4 livre).
Usamos o método enzima-imuno-fluorimétrico, automatizado,
para dosagem de TSH (dito ultra-sensível), T3, T4 e T4 livre.
O hormônio
tireotrófico pode eventualmente não ser titulável
em adultos, e assim a faixa de normalidade vai de 0 a 6 microUI/ml, com
um valor médio de 2,5 microUI/ml. Os demais exibem as seguintes
amplitudes:
Triiodotironina (T3):
80 a 200 ng/100ml.
Tiroxina (T4):
4,5 a 11,5 mcg/100ml.
Tiroxina livre (T4L):
0,8 a 2,0 ng/100ml.
Uso Propedêutico
Considerando-se
que T3 tem maior atividade, poder-se-ia julgar que a medida de T3 seria
melhor avaliação da função tireoidiana.
Todavia, devido à fonte periférica de T3, seus níveis
não refletem diretamente a secreção tireoidiana.
Além disso, níveis de T3 podem ser normais a despeito da
presença de bócio com elevado TSH e baixo T4. O controle
do TSH hipofisário é exercido principalmente por T4.
Os hormônios tireoidianos regulam o TSH suprimindo o hormônio
hipotalâmico de liberação (TRH), bem como reduzindo
seus receptores na hipófise anterior. A medida de TSH e T4
oferece melhor avaliação da função da tireóide.
No hipertireoidismo
T3 aumenta proporcionalmente mais que T4; às vezes somente
T3 está aumentado,
e esta Tireotoxicose por T3 é frequente em áreas com deficiência
de iodo. Por diminuição da conversão T4 em T3
em doentes graves com hipertireoidismo, T4 pode estar aumentado isoladamente.
Assim, uma única dosagem de T3 não diagnostica hipertireoidismo.
A dosagem
do TSH é particularmente útil no diagnóstico do hipotireoidismo
primário,
a mais frequente modalidade
de hipofunção da tireóide. No hipotireoidismo
inicial, sem sintomas aparentes, é possível encontrar-se
um TSH elevado com T4 normal e que somente progressivamente se reduz (hipotireoidismo
sub-clínico). Tais casos respondem bem ao tratamento, evitando-se
o aparecimento de bócio e o hipotireidismo franco.
Na gravidez
podem surgir dificuldades de diagnóstico de doenças da tireóide,
devido à semelhança de alguns sintomas comuns ao hipotireoidismo
(fadiga, letargia, prisão de ventre) e ao hipertireoidismo (irritabilidade,
ansiedade, taquicardia, aumento da tireóide). Para melhor
situar o problema o quadro abaixo informa as variações apresentadas:
| Dosagem |
Gravidez Normal |
Hipotireoidismo |
Gravidez +
Hipotireoidismo |
Hipertireidismo |
Gravidez +
Hipertireoidismo |
| T4 livre |
N |
D |
D |
A |
A |
| T4 total |
A |
D |
D/N |
A |
A |
| TSH |
N |
A |
A |
D |
D |
N – normal; D –
diminuído; A – aumentado.
QUADRO X
Por último
há de estabelecer-se a utilização da dosagem de TSH
nos casos de hiper e hipotireoidismo. Ela é particularmente
útil no diagnóstico do hipotireoidismo primário, a
mais frequente modalidade de hipofunção tireoidiana.
Concorda-se que o aumento do TSH é o mais sensível indicador
de insuficiência tireoidiana primitiva, compensada, ou não,
isto é, sem ou com hipotireoidismo clínico. Porém,
melhor que a dosagem isolada é a utilização de prova
de estímulo, permitindo identificar as diferentes modalidades de
disfunção da tireóide.
Prova de Estímulo
com Hormônio Liberador de Tireotrofina (TRH)
Utiliza-se
TRH Roche (1 ampola de 200 microgramas), por via endovenosa, colhendo-se
amostras de sangue basal, e decorridos 30 e 60 minutos da injeção.
Não utilizar anti-coagulantes (dosagens no soro). Em pessoas
normais os níveis mais elevados surgem na primeira meia hora, com
aumento de 10 a 30 microUI/ml. Podemos simplificar o uso propedêutico
no quadro abaixo:
| Diagnóstico |
Causa |
T3, T4 |
TSH Basal |
Resposta |
| Hipotereoidismo
Primário |
Patologia Tireoidiana |
D (*) |
A |
Exagerada |
| Hipotireoidismo Secundário |
Patologia Hipofisária |
D |
D |
Subnormal |
| Hipotireoidismo Terciário |
Patologia Hipotalâmica |
D |
D |
Normal (menor) |
| Hipertireoidismo |
Doença de Graves ou Bócio
Nodular Tóxico |
N ou A |
D |
Subnormal |
N – normal ;
D – diminuído ; A – aumentado.
(*)
Lembrar que níveis de T3 podem ser normais em alguns casos de hipotireoidismo
inicial ou ainda sem manifestações clínicas.
QUADRO XI
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