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IV – PROLACTINA
A prolactina
tem papel inequívoco na secreção láctea.
No momento é difícil apontar um efeito na esteroidogênese
ovariana, mas é possível que o ovário seja um órgão
efetor tanto quanto a mama. Há possibilidade de que participe
na regulação da água e metabolismo eletrolítico.
Tal foi sugerido, por exemplo, no controle do volume de líquido
aminiótico, no qual seus níveis são cerca de 50 vezes
maiores que os da circulação materna e fetal.
A molécula
da prolactina apresenta uma série de semelhanças com as moléculas
do hormônio de crescimento e do hormônio lactogênico
placentário, sugerindo que resultaram da evolução
de um ancestral comum. São cadeias peptídicas simples,
com 2 a 3 pontes di-sulfídicas e sem grupo glicídico.
Os outros dois possuem 191 ácidos aminados, tendo a prolactina 198.
Valores Normais
Há
um ritmo diário na secreção da Prolactina, com suas
taxas elevando-se durante o sono, mesmo em cochilos durante o dia.
Tal comportamento não interfere com a dosagem, feita na parte da
manhã, sem obrigatoriedade de jejum absoluto. Para fugir de
influências emocionais há quem sugira dupla colheita, com
intervalo de 30 minutos, e a dosagem quer das duas amostras, quer de um
“pool” preparado com partes iguais de soro (não utilizar plasma).
A prolactina estabiliza-se à puberdade, e seus valores mais elevados
no sexo feminino são atribuídos à influência
dos estrogênios. A prolactina pode eventualmente deixar de
ser titulável e assim admite-se a faixa de normalidade na mulher
adulta de 0 a 20 ng/ml.
Não há
variações consistentes da prolactina durante o ciclo menstrual,
porém preferimos a dosagem entre 21o e 23o dias, para fazê-lo
juntamente com a da progesterona, visando avaliação de possível
significado em casos de esterilidade. Logicamente em pacientes amenorréicas
tal preocupação não tem lugar, mesmo porque neste
caso não há interesse prático na dosagem de progesterona.
Uso Propedêutico
A dosagem
de prolactina pode ser útil em diversas condições
de hiperprolactinemia, desconhecendo-se qualquer patologia atribuível
a baixos valores.
1 – Roteiro
diagnóstico na Galactorréia
Para situar
o binômio galactorréia-hiperprolactinemia podemos estabelecer
preliminarmente os seguintes dados:
1o ) pode haver galactorréia
tendo sido ultrapassado o momento da elevação da prolactina:
em apenas 70% encontramos a hiperprolactinemia;
2o ) na amenorréia
com hiperprolactinemia, apenas cerca de 30% mostram galactorréia;
3o ) na amenorréia-hiperprolactinemia-galactorréica,
cerca de 30% tem micro-adenoma hipofisário.
O melhor
roteiro para investigação da galactorréia é
descrito por Davajan & Kletzky (1978):
ROTEIRO DIAGNÓSTICO
DA GALACTORRÉIA
Notar
que a dosagem inicial é a do hormônio tireotrófico,
afim de afastar o hipotireoidismo, causa frequente de galactorréia.
A grande preocupação, porém, é o adenoma hipofisário,
e a história menstrual não auxilia, pois mulheres com menstruações
regulares podem ter galactorréia provocada por tumor; e ainda, casos
de galactorréia por adenoma podem mostrar níveis normais
de prolactina, embora presentes oligomenorréia ou mesmo amenorréia.
Desta forma a dosagem de prolactina não é conclusiva e deve
ser associada à investigação radiológica.
A lembrança do adenoma hipofisário obriga a um acompanhamento
prolongado, pois seu aparecimento pode ser surpreendido somente ao cabo
de anos decorridos do problema inicial. Considerando a seriedade
do quadro é imprescindível a confirmação do
resultado: repetição do exame após duas semanas e
afastamento das causas iatrogências de hiperprolactinemia (tranquilizantes,
anti-hipertensivos do grupo serpasol, pílulas anti-concepcionais).
2 – Diagnóstico
de Distúrbios Menstruais, Amenorréia e Esterilidade por
Hiperprolactinemia
O aumento da
prolactina pode ocorrer na ausência de adenoma hipofisário,
por distúrbio de seu mecanismo regulador. À hiperprolactinemia
associam-se, por vezes, oligo e/ou hipomenorréia, esterilidade,
e mesmo, para alguns autores, a síndrome do ovário policístico.
O significado prático desta correlação é a
possibilidade do tratamento de problemas da esfera ovariana com a correção
farmacológica dos níveis de prolactina.
Pinto &
cols. (1982) analisando dosagens de prolactina e progesterona em casos
de esterilidade, investigam as hipóteses etiopatogênicas,
considerando os efeitos da hiperprolactina ao nível do ovário,
da hipófise, e do hipotálamo, e concluem que a questão
central, a anovulação, não é consequência
do aumento da prolactina. Sugerem que ambos os distúrbios
seriam produzidos por uma disfunção hipotalâmica primitiva.
PROVAS FUNCIONAIS
DA PROLACTINA
As provas
funcionais da prolactina envolvem o estímulo ou a inibição,
e são utilizadas para identificar o adenoma na hiperprolactinemia,
ou comprovar a secreção nula após cirurgia ou radioterapia;
ou Síndrome de Sheehan (necrose isquêmica da hipófise);
ou, por fim, quadro de sela túrcica vazia.
Entretanto,
os adenomas secretantes de prolactina, antes que verdadeiras neoplasias,
são uma hipertrofia de células lactotróficas secundária
a um desequilíbrio PIF-PRL, condição análoga
à observada na gravidez normal. Daí a ineficiência
das provas dinâmicas que, em alguns casos, podem dar respostas normais
a despeito da presença do tumor.
Para
conhecimento, todavia, podemos alinhar as provas abaixo.
| Prova |
Droga |
Dose |
Via |
Colheitas |
Local de Ação |
| Estímulo |
1. Sulpiride |
100 mg |
i.m. |
0' 60' 120' 180' |
Hipotálamo |
| 2. TRH |
0,2 mg |
i.v |
0' 15' 30' 60' |
Hipófise |
| Inibição |
3. L-Dopa |
500 mg |
oral |
0' 60' 120' 180' |
Hipotálamo |
4. Bromo-
ergocriptina |
2,5 mg |
oral |
0' 120' 240' 24h |
Hipotálamo |
Produtos comerciais utilizados:
1. Sulpiride: Equilid
– Modulan – Dogmatil (ampola de 100 mg).
Resposta normal: elevação
superior a 3 vezes o valor basal.
2. TRH: “TRH
Roche” – ampola de 0,2 mg (200 microgramas).
Resposta normal: elevação
superior a 5 vezes o valor basal.
3. L-Dopa: Larodopa
Roche (comprimidos de 500mg).
Resposta normal: diminuição
superior a 50%, por vezes comprovada somente na última amostra.
4. Bromo-ergocriptina:
Parlodel Sandoz (comprimidos de 2,5 mg)
Resposta normal: diminuição
superior a 50%, por vezes comprovada na manhã seguinte. |