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I – INTRODUÇÃO
As dosagens
hormonais constituem um exame complementar de grande valia em alguns quadros
das clínicas ginecológica e obstétrica. Utilizam
métodos ditos “de competição”, quer com rádio-isótopos
adequados (radio-imunoensaio ou RIA), quer com enzimas (enzima-imunoensaio
ou ELISA). De introdução recente, preferimos
o Enzima Imunoensaio Fluriométrico, totalmente automatizado, mediante
um Analisador de fabricação Baxter (Stratus II). Os
métodos biológicos, químicos e cromatográficos
tem aplicação restrita e eventualmente serão mencionados.
Está ultrapassada a discussão sobre material a dosar, sangue
ou urina, posto que foram superadas as dificuldades para uso do primeiro,
preferencial por motivos óbvios. Sem esquecer o problema da
colheita da urina de 24 horas, origem de grandes equívocos e rico
anedotário.
Apenas
para situar pontos essenciais do metabolismo dos hormônios esteróides
vale sistematizar a correspondência dos mesmos no sangue e na urina.
(Quadro I)
METABOLITOS
URINÁRIOS DOS ESTERÓIDES
Da extensa
lista de hormônios mensuráveis, visando ao emprego prático
imediato, sugerimos tão somente quatorze dosagens, a saber:
I – Peptídios (Prolactina e Hormônio Lactogênico Placentário);
II – Glico-proteínas (FSH, LH, TSH, HCG); III – Derivados
proteicos (Tri-iodo-tironina/T3, e Tiroxina/T4); e IV – Esteróides
(Progesterona, Testosterona, Estradiol, Estriol, Cortisol e 17-cetosteróides).
No momento oportuno será explicada a manutenção da
única dosagem urinária (17-CS) e o uso da dosagem de
hormônios de aplicação mais limitada (17-alfa-hidroxi-progesterona,
dehidroepiandrosterona e seu sulfato), bem como do interesse em certos
casos de dosar a forma livre de alguns deles (testosterona, cortisol, tiroxina).
O quadro II nos dá uma visão global da esteroidogênese.
ESTEROIDOGÊNESE
As quatro
glico-proteínas hormonais possuem Unidades Internacionais que serão
definidas na descrição da dosagem. FSH, LH e HCG medem-se
em miliUI/ml e TSH em microUI/ml. Preferimos esta grafia a fim de
deixar bem identificado o valor, fugindo do símbolo de micro ( )
não existente nas máquinas usuais. Todos os demais
expressam-se em unidades de peso, e é oportuno lembrar a nomenclatura
adequada para as frações milesimais a partir de miligrama
(mg): micrograma (mcg), nanograma (ng) e picograma (pg). Novamente,
preferimos abreviar micrograma com mcg pelo mesmo motivo.
Considerando-se
o desconhecimento de qualquer participação dos elementos
figurados do sangue no transporte de hormônios, a colheita será
de soro ou de plasma (mediante uso de EDTA). O emprego do soro nos
coloca ao abrigo de possíveis interferências de anti-coagulantes.
Em alguns exemplos há menção expressa de preferir-se
a dosagem no soro, como será devidamente assinalado. Em todas
as técnicas são estudadas as possíveis influências
de lipemia, hemólise, presença de bilirrubina, sem que se
defina um prejuízo generalizável. É preferível
fugir de tais problemas, sistematizando a colheita com instrumental adequado
pela manhã, senão em jejum, pelo menos com um café
matinal sem caráter de refeição, como é de
nosso hábito. Dos hormônios que relacionamos, apenas
um (cortisol) mostra um ritmo circadiano, e seu estudo completo exige duas
medidas, fazendo-se as tomadas com o máximo de intervalo permitido
pelo horário usual de trabalho, em geral, às 8 e às
18 horas. Embora seja reconhecido o caráter pulsátil
da secreção de gonadotrofinas hipofisárias, a amplitude
dos pulsos não chega a invalidar os valores de referência
obtidos com uma amostra única de sangue.
Estudaremos
as dosagens dos quatorze hormônios selecionados reunindo-os ou não
em grupos, em obediência à indicação clínica
dos casos em que podem trazer alguma informação útil. |