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Existe um denominador comum ligando tais hormônios, qual seja a participação no metabolismo dos androgênios. Da córtex supra-renal, sabemos, originam-se três grupos de corticóides com finalidade metabólica predominante, destinados a regular: a) glicídios; b) equilíbrio hidro-salino; c) anabolismo proteico. Os hormônios titulares na espécie humana são, respectivamente, cortisol, aldosterona e dehidroepiandrosterona (DHEA). A hipo-função córtico-supra-renal é primária (Doença de Addison) ou secundária (Insuficiência Hipofisária ou Hipopituitarismo) e a disendocrinia sistêmica afasta o caso da área ginecológica. Entretanto, a hiper-função
resulta em:
A primeira e a terceira são tipicamente síndromes endócrino-ginecológicas, ocasionando nas mulheres distúrbios menstruais, esterilidade, infertilidade, hirsutismo e virilização, motivos pelos quais em frequência elevada a primeira consulta é ao ginecologista. Em condições fisiológicas o organismo feminino encerra androgênios no ovário (androstenodiona e testosterona) como simples precursores da síntese de estrogênios, e na supra-renal o principal anabolisante (DHEA) é, em verdade, um androgênio. Considerando tal peculiaridade, não se pode falar em hipo ou hiper-função. Melhor será definirmos os desvios para mais dos androgênios na mulher com o rótulo de Disfunção Androgênica, exteriorizada, além de distúrbios da função ovariana em graus diversos, por quadros que vão do hirsutismo leve à franca virilização. Sua propedêutica envolve a dosagem dos três hormônios agora estudados. O cortisol é um esteróide com 21 átomos de carbono, 11-oxigenado, produzido na camada fascicular da córtex supra-renal, e transportado no sangue por uma carreadora específica, CBG ou transcortina. Dependendo do estímulo hipofisário pelo hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) exibe um ritmo circadiano, com valores mais elevados de manhã e mais baixos nas proximidades da meia-noite. A testosterona é o principal androgênio (C-19), produzida sobretudo no testículo. No ovário, representa (junto com outro C-19, a androstenodiona) simples etapa intermediária na síntese do estradiol e da estrona, respectivamente. Vale lembrar que a córtex supra-renal não secreta testosterona, excetuando-se raras variedades de tumores funcionantes, porém sua secreção diária de DHEA é da ordem de 10 mg. Os 17-cetosteróides (17-CS) são esteróides C-19 com uma função cetona no carbono 17, oriundos do metabolismo dos androgênios, e excretados na urina. A existência de precursores androgênicos na córtex supra-renal e na gônada confere a este grupo uma posição notória, que pode ser útil na propedêutica. Esta é a razão de ter sido conservada a dosagem urinária dos 17-CS em um grupo mínimo de investigação hormonal em ginecologia, todas as demais sendo no sangue. ![]() Valores Normais Com o material que utilizamos,
são os seguintes os valores normais no plasma (sangue colhido com
EDTA):
Cortisol (independente
de sexo) – manhã: 70 a 250 ng/ml
Testosterona – 0,1
a 1,0 ng/ml.
17-cetosteróides
urinários – para adultos normais:
Atribui-se à participação da testosterona testicular a maior taxa masculina, considerando-se de pequena monta os precursores ovarianos. Todavia, é forçoso reconhecer que muitas vezes uma dosagem isolada de 17-CS não permite reconhecer o sexo, posto que os tipos constitucionais de supra-renal e gônoda em certos indivíduos levam a uma verdadeira interpenetração dos valores acima. Notar que tal não acontece com a testosterona, cujo valor máximo no sexo feminino (1,0 ng/ml) é suficientemente distante do valor mínimo no sexo masculino (4,0 ng/ml). Cortisol, testosterona e 17-cetosteróides não mostram qualquer variação regular durante o ciclo menstrual e podem, portanto, ser titulados em qualquer dia. Quando se faz o perfil hormonal do ciclo, assim como associamos a prolactina à progesterona no 23o dia do ciclo, sugerimos a dosagem da testosterona junto a FSH, LH, E2 (12o, 14o ou 16o dias).
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